.:I'm a prizefighter:.



.: just wanted to be myself :.


DDA, insône, atrasada, enrolada, antipática, apegada, soberba, cética, sonhadora, viajante, reciclável, biodegradável, bípede, sinapses hiperativas, infantil, estudante, desempregada, enrolada, tímida, expansiva, contraditória.



.: try to see it once my way :.


Escrita por palavras que mal me descrevem
Descrita por outras que não fui eu quem escreveu
Exemplificada pelo absurdo
Complexamente eu
Completamente fictícia
Não nos levem a sério
Eu sou textos, mas também os escrevo.



.:you take this preety photos:.

Red Stripe and Vicadin - Foto Blog



.:well that's just fine, that's just one of my names

Paracetamol
Concurso dO mais estranho. Hã?!
E Quem ainda acredita NELES??





.:maybe all we need is water and friends:.

Adstringência do Ti
A Marula com Sucrilhos!
AntiÁcido do Pablo
Cartas Para Ninguém
Declaração e Opinião da Nique
Dormentes, livro virtual da tia Ju
Efedrina, Samantinha
Fabíola Scully
Forsit, de Olivia
Hiato, não-lugar do Luiz
Marina, Ela Mesma e o Mundo
Maria, Pensamento e Poesia
Megeras Magéééérrimas
Mme. Mean
Mundo Sem Noção, por Lulu
Neurose Tupiniquim
Nirvana, assim é!
Ociocismo
Ópio
Pensamentos dO Pedro
Poesia Residual
Poserns Cheia de Pose e Classe
Enlouqueça!
Por Enquanto, Louise
Quaisquer bobagens do Panda
Raky in The Sky With Diamonds
Tia Ju, A Rainha das Letras
Um Pouco da Nat
Voando com Medo de Avião



.:we're all through different lenses:.

Amando Caio Riscado
Foto e Música, by Panda
Mery Hellen no Fotolog.net
Monikitty
Poser Pride, Aline
Rafinha Modelo
Rê, o Astronauta
Redondos do Rê
Ricardo, aqui, ali e acolá
Via Louca, mas Lactea!
Zora Giovanna da Tia Lu



.:paracetamol:.

Personal Holloway
.: tune my weaker eye :: spit white :: hold the world up all day :: she's blue in the face again :: paracetamol :: sleep the darkness all away :: and drinking kitchen paint :: to dye the winter :: i hope we'll never see again :: deaf and dumb with the lights on :: deaf and dumb with the lights on :: married by signs :: married by signs oh :: personal holloway :: six month linen :: it's safe to safe to say we are alone :: suburban suicide :: watching night come amber :: it's all so temporary :: deaf and dumb with the lights on :: deaf and dumb with the lights on :: deaf and dumb with the lights on :: married by signs :: married by signs :: married by signs :: move a little way forward :: move a little way now :: move a little way forward :: move a little way now :: bleed life :: breathe life :: could be a better plan :: could be a better plan :: could be a better plan:.
(song by Bush)



.:I'd die in your arms if you're dead too:.

testes
flashes animados
Changing Rooms
Professor Pasquale
Gavin Rossdale
Bush
YOrgut
netOQ?
Teste seus conhecimentos sobre mim...



.:kitchn tools:.

Dragonfly
Dream Melody
Marina, a de sempre


.:home is still the place that we love the most:.

Blogger



.:build our walls with yesterday:.

Arquivos



Terça-feira, Julho 10, 2007


Cansei.
Mudei.
Agora atendo em http://cabriolas.blogspot.com/

Hasta la vista.



** Lu Morena * 8:40 PM * *


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Sábado, Julho 07, 2007


Ele me ama,
mais que a tudo no mundo,
mais do que para sempre,
mais do que infinitamente,
não vive se mim!

Ele me ama
e nunca vai deixar de amar.
Quer casar, ter filhos, netos, bisnetos,
e fazer bodas de diamante.
Já planejou a casa, o cachorro, o papagaio
e até a secretária que vai virar amante...

Ele me ama
e já pensou em tudo:
todas as brigas e perdões,
as cores e os sons,
viagens e traições...
já também fez a mala,
pra se mudar até com a cuia,
pra nossa vida-quarto-e-sala!

Ele me ama,
completamente,
até com a mente,
e jura que não mente,
só diz o que sente!
É um amor descabido,
que não cabe nem em si,
nem no tempo,
nem em todos os longos dez minutos
em que nos conhecemos!

Ele me ama!
profundamente,
intensamente
e sem medida!
Nascemos um pro outro,
sou a sua prometida,
ele já projetou toda a nossa vida,
E ainda nem perguntou meu nome!

É nisso que dá,
um amor com DDA...

** Lu Morena * 9:53 PM * *


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Quarta-feira, Junho 20, 2007


- É "de repente" ou "derrepente"? (Eu voto no primeiro!)
- "de repente". "Repente" é a coisa, "de" é a partícula, sendo "coisa" e "partícula" nomes genéricos que eu acabei de dar em substituição aos nomes reais das classes de palavras às quais elas pertencem.
- rs... Eu prefiro você ao Bechara.
- Eu também. Ele é muito careta e ultrapassado...
- Pois é, vamos fazer uma gramática com o seguinte nome: gramática para quem escreve.
- Pensei que seria gramática de leigos. Mudando de assunto, "sinto muito" é uma coisa que não diz nada, né? Sente muito o quê? tristeza? alegria? arrependimento? tudo junto? É um excelente coringa.
- "Sinto muito" tem contexto, logo não precisa de texto.
- Mas pode ser dito em muitos contextos diferentes!
- Geralmente de tristeza...
- De tristeza porque se convencionou assim, mas não é o que o texto diz! Em inglês, sorry é de tristeza, de sorrow... lá faz sentido "I'm so sorry".
- Será que na origem tinha mais texto?
- Deve ter perdido os complementos, que nem o "obrigado" que, pelo que ouvi dizer, antes era algo do tipo "sinto-me obrigado a retribuir o favor..."
- Nossa, ainda bem que cortou!
- Pois é. Ninguém deveria se sentir à vontade de pedir nada pra outra pessoa, só pra não se sentir obrigado depois...
- Mas talvez seja isso, estrangeirismo do inglês pro português.
- É uma boa possibilidade. Se algum dia alguém me perguntar, vou dizer que é por isso mesmo!
- Me ajuda, escreve um pedaço da música do Bob Marley para mim.
- "Get up, stand up: stand up for your rights! Get up, stand up: don't give up the fight!"... essa?
- Isso, só isso, muito "sinto-me obrigado a retribuir o favor"...
- Ótimo. Depois eu te obrigo a alguma coisa...
- Eu nuca diria "de nada" se as pessoas ainda quisessem se obrigar a alguma coisa!
- É você quem organiza a exibição do filme do cine icaraí?
- Sou, mas é a última vez que faço isso. Chega de atos.
- Por quê?
- Porque é chato fazer sempre o mesmo ato.
- "Ato contínuo" de repente adquiriu todo um novo significado...
- De repente têm uns termos que caem em superuso. Tipo "literalmente", desde há um tempo atrás.
- É mesmo. Eu tive um professor que disse que alguma coisa lá relacionada a contratos, ou a alguma lei, tinha ficado "literalmente uma merda"... Mas eu duvido que tenha virado cocô de verdade!
- Agora tudo que as pessoas querem dizer que é verdade, elas dizem "Literalmente". Ou quando querem dizer "em abundância".
- É verdade. Ou melhor, literalmente!
- Tipo "caiu o maior pé d'água... literalmente".
- Dá vontade de perguntar "e quanto ela calçava, a água?"
- Ou "tá chovendo canivete... literalmente"... enfim...
- Ah, mas "tá chovendo canivete" ninguém diz, diz? A idéia é exatamente de coisa absurda... a expressão não é "nem que chova canivete"? Que nem a da vaca tossir?
- Então, erram todos os sentidos!
- Ai ai... estou com fome. Literalmente.
- Comeria um boi inteiro, literalmente.
- Só se a vaca tossisse... Vamos fazer um movimento a favor do uso de "metaforicamente"? Com sorte as pessoas desistem do Literalmente e correm o risco de acertar mais.
- Eu tenho um termo, "literariamente". Tipo: está chovendo canivetes, literariamente.
- É poético, eu gosto.
- Compatilhar é legal.
- Compartilhar?
- Tinha uma mensagem dizendo que você queria compartilhar arquivo comigo!
- Ah, eu cliquei em alguma coisa aqui sem querer e apareceu uma janela dizendo isso, que eu queria compartilhar um arquivo. Como eu não queria compartilhar nada, fechei o trem.
- Ahnnn. Que tolo que fui, acreditei no MSN!
- Tolinho... Mas eu compartilharia minha vida com você! (se o msn tivesse essa opção...)
- Vendo essa pérola, eu lembrei que os nossos diálogos sempre foram bons textos.
- Verdade. Lembra daquele filme, Xeque-mate, com os diálogos absurdos que nem os nossos? O filme da ataraxia!
- Muito divertido, pena que tem gente no mundo sem senso de humor e não gostou do filme. Mas... ataraxia? Que foi? Anda lendo dicionário de polissílabos?
- É, ataraxia: o poder de não se preocupar.
- Aliás, deveria existir um dicionário de polissílabos.
- De repente existe. Seria um bom dicionário... Anyway, o cara fala no filme que tem ataraxia. Eu revi há uns meses e decorei a palavra.
- hum, isso beira a psicopatia.
- Na verdade ataraxia é uma coisa bonita. É algo acima do nirvana (não a banda)
- Interessante. Então o nirvana é um tipo de psicopatia voluntária.
- Não é porque você está violento hoje que o budismo se tornou uma patologia! "Ataraxia é um termo ligado às correntes filosóficas gregas do Ceticismo, Estoicismo e Epicurismo, o qual é sinônimo para: Paz e imperturbabilidade de espírito; Ausência de ansiedade; Tranquilidade e impassibilidade da alma; Felicidade derivada da virtude; A experiência do ótimo, a qual leva ao prazer natural, ético e estável. Segundo tais correntes, a ataraxia é possível de ser alcançada: Atendendo-se aos desejos naturais; Ignorando-se os desejos upérfluos; Eliminando-se as paixões; A ataraxia epicurista é basicamente o triunfo da razão do homem - geralmente a duras penas - sobre a irracionalidade do ambiente que o circunda. É um estado de espírito onde o homem deixa de temer o divino, a dor e principalmente, a morte."
- Tipo se livrar dos desejos e necessidades do corpo.
- É, e, como o psicopata deve ter uma paixão o movendo, acho que ele fica excluído dessa.
- É interessante observar as fronteiras absurdas. Aliás, sobre o absurdo do mundo, você poderia ler mais Camus.
- Ler mais ou um pouco, pelo menos, uma vez que não li nada.
- Eu acho que no fundo todos o lemos, principalmente quem estranha só um pouquinho qualquer coisa que acontece hoje em dia.
- Não é porque a gente inconscientemente compartilha idéias que a gente o lê! Ler é bastante literal.
- Aqui sim caberia um literalmente.
- Era o que eu ia escrever antes de achar que ia ficar demais.
- Fica demais mesmo. Ficaria melhor num diálogo começando sobre o uso de literalmente e fechando com isso.
- Escreva o diálogo, nós já o tivemos.
- É, tivemos. Mas minha escrita tá enferrujada que dói.
- Não tá não, você tá confundindo com a minha. A sua vai bem, obrigada.
- Tenho que ir. Muito bom poder voltar a conversar com você.
- Pois é. Estou com saudades.
- Acho que isso vai me desenferrujar, no fundo você é meu oleozinho singer.
- Você é tão romântico! Vá lá. Eu vou ficar lendo Camus.
- Leia sim. Ler é bastante literal. Literalmente.


** Lu Morena * 7:04 PM * *


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Terça-feira, Maio 15, 2007


O ato 3 continua em construção. Falta inspiração.

Enquanto isso...


Panegírico


Era meu aniversário, uma quarta-feira. Coincidentemente, primeira semana de aula. Na sala, pequena, com alguns minutos de atraso - depois explicados -, o primeiro encontro entre alunos e professor. Lindo. Alto, traços finos, olhos claros, terno e gravata. Não precisaria de mais nada depois do terno, mas tinha mais: ele conta ter TOC, mania de organização e algumas outras manias não reveladas. Rapidamente percebe-se que ele é inteligente, gosta de dar aula, tenta ser justo e até bom, apesar da fama de carrasco, que não faz nenhuma questã de dissipar. Além de tudo, é lindo. E o terno, já falei nisso? Também é casado, mas isso é o de menos, não tem nada a ver. Não procuro romance, mas admiração. Ou o mais próximo disso que puder chegar.

As semanas se passam, e ele reclama do baixo nível de entendimento da turma. Eu, apesar de soberba, fico quieta, recolhida à minha ignorância. Low profile. É melhor não dar sinais e tentar me mesclar com a multidão. A admiração surge do inesperado, da surpresa, e eu sei disso. O esboço do plano está traçado, mas tudo vai depender de um papel, a prova. Ainda bem que papéis não me assustam, pelo contrário. Eu e minha mania de querer encantar palavras adoramos papel. E então esperamos, caladas.

Fim de semana prolongado por feriado antes da prova. O plano era estudar muito, saber tudo, impressionar. Mas os planos sempre se confundem com a realidade. Surge então uma reforma no quarto, que me faz virar tudo de cabeça para baixo, bem naquele fim de semana. Além disso, uma faringite, uma moleza... culpa da chuva. E do Tiago, claro, mas não falemos nisso. Meu algoz aqui é outro: o tempo. Aquele que, sempre implacável, me faz de besta e passa sem que eu perceba. No fim das contas, restam-me poucas horas na véspera para estudar. Mas tudo bem, eu tinha uma arma secreta: as palavras. E um lindo par de all star novos (sapatos novos sempre deixam uma mulher feliz) (tá bom, eram duas armas secretas) (tá bom, tá bom, não tão secretas assim).

No dia da prova, chego na sala e sinto a tensão espessa pairando no ar. Pessoas agarradas aos seus papeizinhos tentando decorá-los a todo custo.
Decorar é uma palavra interessante em seus significados: tanto pode ser memorizar quanto enfeitar. Eu e minha memória falha preferimos enfeitar, tornar belo aos olhos. Vale mais a pena do que perder meu tempo tentando memorizar. Enfm, "cada um com seu cada qual".
Enquanto alguns dão suas últimas lidas e "ouvidas" na matéria, fazem perguntas uns aos outros, róem unhas e maldizem o infeliz que inventou as provas, eu contemplo meu all star preto e rosa de corações, doida para voltar pra casa e dormir feliz.

Os minutos se passam, a tensão vira medo ao meu redor. Então ele entra - sempre de terno, ó! -, posiciona os alunos em fileiras separadas, entrega as folhas de perguntas junto com folhas de papel almaço para as respostas e explica as regras do jogo: manda que escrevam seus nomes nas duas folhas e, por questão de organização, indica quantas linhas devem ser deixadas para cada resposta. Depois de seguidas as instruções, começo a ler as perguntas. Até considero por alguns segundos a idéia de escrever primeiro à lápis para depois passar a limpo, mas a imagem da cama quentinha me esperando me parece mais tentadora. Assim, pego a caneta azul e começo a responder, tranquilamente, escolhendo as palavras certas, nos espaços devidamente reservados para cada questão. Vou além do que me é pedido, escrevo mais do que o necessário mesmo, só pra mostrar que sei. Há um misto de soberba e bondade aí, eu juro. Todo professor deve ficar mais satisfeito em ver que conseguiu ensinar alguma coisa do que em constatar que seus alunos são de fato umas bestas. Faço um texto bem escrito, apesar dos limites, e juridicamente correto, acredito. Confiante, chego na última questão e esbarro em uma falha da memória. Uma palavra, falta uma palavrinha... Revejo a prova, escrevo a resposta da questão mais longa que havia deixado pro fim e, quando já estou quase desistindo, quase pensando em inventar uma palavra qualquer, penso novamente na tal da admiração, na surpresa, na cama, na garganta inflamada e na culpa do Tiago e puf! uma luz: culpabilidade, era essa a palavra! Um sorriso com um quê de ironia se imprime em meu rosto. Guardo o material, levanto e caminho até aqueles olhos verde-oliva-acinzentados. O sorriso até então sutil quer explodir, mas me contenho. "Estudou?" "Um pouquinho", respondo. E é verdade. Mas como é bom quando "um pouquinho" é exatamente o suficiente! (Ainda mais sabendo que o meu nível de "suficiente" é alto o bastante para a média). Entrego a prova sem conseguir evitar a certeza de que ele iria se surpreender, ficaria feliz até!

Sai da sala contente, orgulhosa, não contendo os sorrisos, com a sensação de dever cumprido e muito bem-feito. Fazia tempo que não me sentia assim. No mundo delirante da minha cabeça, imaginava a felicidade dele ao ler uma prova tão boa, além de um monte de elogios "nunca li uma prova de segudo período tão perfeita... aliás, nunca li uma prova de graduação tão bem escrita!". Quase construí castelos nas nuvens para mim, mas o vento passou e voltei à realidade. O homem já deu aula para centenas de alunos, é claro que teve um monte de alunos bons, não sou a primeira e nem serei a última. Aliás, pode nem ter sido tão grandes coisa assim, né, como vou saber!? Não tenho base nenhuma pra comparação!

* Eu sempre tive essa vontade de ser única, de ser especial, de ter algo de fantástico, fora dos padrões, sabe?! Mas não tenho nenhum talento inato, nenhum dom exclusivo, nada que de fato me distinga na multidão. Sou só esquisita mesmo, nada mais. Vai ver é por isso que eu tenho o meu próprio mudinho... *


De volta à história, a semana passou e, apesar de ainda orgulhosa de mim mesma, fui caindo na real e me preparando para a possibilidade de estar redondamente enganada em tudo e não ter tirado dez coisa nenhuma, só pelo excesso de pretensão. Eis que a quarta-feira chegou chuvosa e, temendo uma nova inflamação na garganta ou coisa que o valesse, me atrasei uma meia-hora esperando a chuva diminuir. Entrei na sala enquanto o professor falava alguma coisa sobre formatação, fontes, tamanhos de fontes, espaçamentos... enfim, nada que me fizesse sentido àquela hora da manhã. Sentei-me. Os olhos verde-oliva-acinzentados se dirigiram a mim "estamos falando sobre organização, Luciana". Agradeci o esclarecimento, embora continuasse sem entender o que aquilo tinha a ver com Direito Penal. Acima de tudo, espantei-me: desde quando ele sabia meu nome? Ele não sabia antes! Então, o homem-lindo aproveitou para entregar minha prova e dizer "estava elogiando a sua prova". DROGA!

Eu tirei 10, ele escreveu comentários elogiosos no fim da prova e todo mundo olhou pra mim dando os parabéns porque ele havia me elogiado publicamente "Isso que é prova! organizada, limpa, clara, bem escrita, juridicamente correta! Dá até vontade de corrigir!". Um espetáculo! Elogio e mais elogios... Tá bom, tá bom, não sei se foi bem isso que ele disse. Estou me baseando no comentário escrito na prova, sabe por quê? Sabe?? PORQUE EU NÃO ESTAVA LÁ PARA OUVIR! Eu de fato consegui o reconhecimento e talvez mesmo um pouco da admiração almejada, mas não estive presente!! Estela falou que devia ter gravado, que foi bonito... mas não gravou. E eu não ouvi! Eu não ouvi! Não ouvi! (Entendam toda a repetição como revolta pura e simples) EU NÃO OUVI!!!
Depois de eu não ouvir meus elogios, ele liberou a turma para estudar pra prova do dia seguinte. E eu voltei pra casa, num misto de orgulho e decepção, abandonada pelos elogios endereçados a mim e extraviados pela chuva. Não sou vaidosa a ponto de ficar feliz por todos os outros terem ouvido. Não mesmo. Pra mim, o mais importante era que eu tivesse ouvido. Meus elogios, meus ouvidos. Mas agora já era, perdi. Elogios que nunca vão se repetir. Já disse "DROGA!!"??!

O ruim em surpreender uma vez, é que aumentam as expectativas sobre você. Ir novamente bem será comum. Surpreender agora, só se for negativamente.
E o meu panegírico já era.



EU NÃO OUVI!!
droga.



(Panegírico: discurso público em louvor a alguém ou a um ser abstrato; elogio solene; que louva, que contém louvor; elogioso, laudatório.)


** Lu Morena * 6:56 PM * *


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Domingo, Fevereiro 18, 2007


uma história em três atos



Ato 2

Desencontro


- Você marca todos os seus encontros aqui?
- Só quando você marca os seus.
- Como você sabe que vou encontrar alguém?
- Elementar. Eu sou sua versão masculina, lembra?
- Somos almas gêmeas.
- Muito provavelmente. Ele tá atrasado?
- Não, ainda não. Dessa vez eu cheguei na hora. Ele tem quinze minutos de tolerância.
- É o médico?
- Não, é outro. O médico virou ex mesmo.
- Namorado?
- Não exatamente. Pelo menos não por enquanto e não com o rótulo.
- Imitadora.
- E você, esperando a futura namorada em potencial, pouco brilhante?
- Não é mais futura. Agora é atual. Pelo menos por enquanto.
- Já pensando em terminar?
- Nós nos desencontramos muito, não está funcionando. Pelo menos eu já tenho o telefone dela.
- E já ligou?
- Não. Acho que este é um agravante para os nossos problemas de comunicação. Ela vive reclamando que eu nunca ligo.
- Mas esse é o seu charme!
- Só você me entende¿
- E só porque eu sou sua versão feminina. Caso contrário, também não entenderia.
- Ainda bem que a vida não é feita de casos contrários. Este seu não-namorado vai virar namorado?
- Não sei. Ele até tem potencial, mas vamos ver. Está em fase de testes.
- Não vai dar certo.
- Não rogue praga!
- Não é praga, é fato. Esse não namoro está fadado ao fracasso. Tá escrito nas estrelas.
- Você tem estrelas cultas!
- E bregas, eu sei. Mas sábias.
- E porque elas dizem que não vai dar certo?
- Por que ele não é sua alma gêmea. Nós já sabemos disso.
- Muito platônico você.
- Eu sei, não posso evitar. Sou um romântico incurável.
- Seu novo charme.
- Aquele nosso encontro¿ Eu não pude vir.
- Não importa, eu também não pude. De qualquer forma, nos encontramos. E sem marcar.
- Encarando de outra forma, nós dois viemos. Com algumas semanas de atraso.
- Pontuais em nossos atrasos. Definitivamente almas gêmeas.
- Desencontradas, mas gêmeas.
- Ela está muito atrasada?
- Na verdade, nem um pouco. Eu que cheguei cedo.
- Nossa, que avanço, você chegou cedo!
- Eu estava por perto, e sem nada para fazer. Cheguei aqui poucos minutos antes de você.
- Ainda bem que você não me deixou esperando!
- Eu nunca faria isso. Você poderia ficar traumatizada.
- Ficaria mesmo, sem dúvidas.
- Esse agora também quer ser médico?
- Não. Advogado.
- Advogado?! Tá vendo só, que futuro isso pode ter?
- Ah, advogados não são tão ruins¿
- Você diz isso porque ainda não é seu namorado. Se fosse, você pensaria diferente.
- Talvez. Só vou saber quando ele for.
- Não perca seu tempo, largue logo dele. Não vai dar certo, você sempre vai pensar em mim.
- Pretensioso você.
- Realista, acima de tudo.
- Já que está escrito nas estrelas, não precisamos nos preocupar.
- Mas podíamos nos poupar um bom tempo.
- Não apressemos as coisas. Quem sabe um dia a gente se encontra, livres e desimpedidos. Sem futuros namorados em potencial ou atuais futuros ex.
- Falando nisso, ela está vindo. Até a próxima vez, Marcela.
- Até lá, Alex.
- Preste mais atenção às estrelas.
- Elas são bregas, mas sábias, né?!
- Não duvide.


** Lu Morena * 5:31 PM * *


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Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007


uma história em três atos



Ato 1

Encontro


- Que horas são?
- Já são sete e trinta e dois. Maldito!
- Desculpa!
- Não, não é com você...
- Ele tá atrasado?
- Como você sabe que é ele?
- Quem mais poderia ser?
- Verdade... E está. Marcou comigo às sete em ponto. Estou aqui desde dez para as sete e nada do infeliz.
- Namorado?
- Não sei. Costumava ser, mas temos brigado e nos desencontrado tanto, que marcamos pra conversar. Hoje, trinta e dois minutos atrás. Estou criando raízes aqui e nada dele. Eu mereço. É vingança, tenho certeza... Não devia tê-lo feito me esperar tantas vezes. Aqui se faz, aqui se paga.
- É o que dizem.
- Não sei se continuo esperando ou se aceito logo que levei um bolo e vou-me embora.
- Espere um pouco mais, faça-me companhia.
- Ela está atrasada?
- Como você sabe que é ela?
- E quem mais haveria de ser?
- É, você tem razão. Eu sou a sua versão masculina.
- Marcaram que horas?
- Sete e dez. Eu cheguei atrasado. Saí de casa às sete e dez.
- Ela é pontual?
- Costuma ser.
- Namorada?
- Não exatamente. Pelo menos não por enquanto, não com o rótulo.
- Entendo. Você sempre se atrasa?
- Normalmente. Eu sempre acho que dá tempo de chegar em qualquer lugar em dois minutos. Nunca conto o tempo que demora pra pegar o carro, estacionar, chegar ao lugar marcado... Se bem que hoje eu nem me atrasei muito. Dez minutos não é praticamente nada.
- É um tempo razoável. Ele sempre se atrasa também. Mas nunca mais de dez minutos, é a primeira vez. Só porque eu cheguei antes. Vai ver ela previu seu atraso e resolveu se atrasar mais quinze minutos, pra fazer um charme.
- Ela não é tão esperta assim.
- Coitada da sua futura namorada. Você não é nada romântico.
- Romântico eu até sou, mas realista, acima de tudo.
- Ela deve estar com ele.
- E Murphy. Todos juntos. Isso sim é romântico. Vocês namoram há muito tempo?
- Bastante. Seis meses, mais ou menos. E em seis meses ele nunca se atrasou mais de dez minutos. Só hoje, e só porque eu cheguei cedo. Ninguém merece.
- É pra você aprender a nunca chegar na hora, muito menos antes.
- Lição aprendida. Se bem que você chegou atrasado e não adiantou nada.
- Eu tenho que aprender a chegar na hora. Ela já deve ter vindo aqui. Não me encontrou, não quis esperar e foi-se embora.
- Será? Nada charmosa.
- Nem esperta, como eu disse.
- Sete e quarenta e três. Acho que eu já esperei demais.
- Você já tentou ligar pra ele?
- Tentei. Fora da área de cobertura ou desligado. Como sempre. Não sei pra quê ele tem um telefone.
- Pra dar "fora da área de cobertura ou desligado". É um charme.
- Seu conceito de charme é meio esquisito.
- Todos os meus conceitos são meio esquisitos. Assim como eu.
- Você não me parece esquisito.
- Você é que me conhece pouco.
- Fato. Dez minutos não é tempo suficiente pra se conhecer alguém.
- Só é tempo suficiente para se atrasar.
- E pra esperar. Devia existir um estatuto do atraso e da espera. Tempo máximo pra alguém se atrasar: quinze minutos. Tempo máximo pra se esperar por alguém: vinte. O mundo seria um lugar mais tranqüilo.
- E teria menos gente na rua.
- Com certeza. Você já tentou ligar pra ela?
- Eu nunca ligo pra ela. Esse é o meu charme. Ela é quem me liga.
- Então ela deve estar se vingando, fazendo você esperar tempo o suficiente pra cansar e ligar.
- Não vai funcionar. Eu não tenho o telefone dela.
- Você não tem o telefone da sua futura namorada em potencial?
- Pra quê se eu não ligo?
- Exatamente para eventualidades como essa. Se existe a possibilidade de vocês namorarem, acho que você devia pelo menos ter o número. Ainda que seja para não ligar.
- Tudo bem, você venceu. Assim que eu a encontrar, anoto o telefone.
- Muito bem. Dê mais valor a ela. O meu namorado, por exemplo, teria maiores chances de continuar sendo meu namorado se telefonasse pra dizer que vai se atrasar.
- Você está mesmo pensando em terminar?
- Cada vez mais sério. Eu ouço mais a gravação de "fora da área de cobertura ou desligado" do que a voz dele desde que começou a faculdade. Maldita faculdade.
- Ele faz o que?
- Medicina. Quer salvar o mundo. E me deixar esperando.
- Ele deve estar treinando. Todo médico faz questão de nos deixar esperando, nunca atendem na hora marcada.
- Ótimo. Agora virei paciente estagiária do meu futuro ex-namorado. E a sua futura namorada está aprendendo com ele.
- Ela não é tão esperta pra fazer medicina. Nem faculdade faz.
- Você fala dela como se ela fosse uma besta quadrada.
- Não é quadrada. Pelo menos por enquanto. Mas há uma grande chance de se tornar redonda daqui a uns vinte anos.
- Nossa, que amor!
- Pra você ver, ela é pouco brilhante, mas mesmo assim gosto dela.
- Enfim romântico.
- Viu?! Estou aprendendo. Vou até anotar o telefone dela!
- Parabéns! Quem sabe um dia você liga, né?
- É, quem sabe!
- Sete e cinqüenta e três. Ainda bem que encontrei você. O tempo está passando mais rápido.
- O tempo é uma criatura interessante. Um minuto sempre tem mais de sessenta segundos quando você não está fazendo nada.
- E menos quando você está.
- De qualquer forma, quase quarenta minutos é demais para um atraso, né? Mesmo que eu só esteja aqui há vinte e cinco, e que os últimos vinte e poucos tenham voado.
- Verdade. Acho que já podemos ir embora sem sentir culpa por não termos esperado.
- Seria um desperdício.
- Ir embora?
- Esperar tanto tempo para nada.
- Quer tomar um café então?
- Falou a palavra mágica!
- Ótimo, estou morrendo por um café.
- Alex, muito prazer.
- Marcela.

Os dois vão tomar um café. Ela liga para o Alex e conta que a mãe começou a passar mal e por isso não pôde ir. Pede que ele vá até sua casa para se verem. Marcela liga de novo para ele e consegue completar a ligação. Ele diz que está esperando há dez minutos e ela não aparece. Marcela descobre que tinham marcado às oito, não às sete. Marcela e Alex se despedem. Marcela vai ao encontro dele e Alex para a casa dela.

- Foi muito bom esperar e tomar um café com você.
- Igualmente. Quando decidir confundir o horário e ficar uma hora esperando à toa, pode me chamar.
- Eu já tenho uma qualidade para ser sua futura namorada em potencial, tá vendo?! Também não sou muito brilhante...
- Você tem outras qualidades para ser minha futura namorada em potencial. Falta de brilhantismo não é uma delas.
- Bom saber. Ainda tenho potencial.
- Quando lhe vejo de novo?
- Que tal daqui a um mês, no mesmo lugar em que nos conhecemos. Às sete e meia.
- Sem atrasos?
- Com quinze minutos de tolerância, nem mais nem menos.
- Você vai me dar seu telefone pro caso de eu me atrasar mais?
- Pra quê, você não vai ligar. É seu charme.
- Verdade. Então nos vemos mês que vem. Pra saber que fins levaram nossas histórias.
- Até lá. Bom começo de namoro pra você.
- E bom término pra você.


** Lu Morena * 8:45 PM * *


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Sexta-feira, Janeiro 19, 2007


eu fui
eu vi
eu ouvi
eu chorei

ELE EXISTE MESMO!!

E, pra não dizer que é perfeito,
tem as orelhas feias.
(não que alguém se importe com isso)

Foram as duas horas seguidas mais perfeitas da minha vida
até agora.
que eu me lembre.

pena que eu não vi o fábio assunção,
que ouvi dizer que também estava por lá,
provavelmente doido pra me conhecer.

Ah, mas naquela noite eu só tinha olhos para Ele,
pros olhos Dele,
logo ali, na minha frente.

Preciso ir a mais shows do Chico Buarque na vida.
Descobri que é o que faz valer a pena.
todas as penas.

** Lu Morena * 12:47 AM * *


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Segunda-feira, Janeiro 01, 2007


Ano novo, previsões novas


"Mãe Bramarah" (vulgo minha tia), fez-me previsões com o auxílio de uma confiabilíssima revista de horóscopo chinês.

Estava escrito, sobre o ano do porco:

"Por causa do Porco, muita gente vai tender a compartimentar seus amigos em categoria e excluir de um determinado programa aqueles que não devem se interessar. O grande problema é que ninguém é capaz de tomar essa decisão, sem ferir a pessoa excluída. [ela começou a ler daqui:] Siga um sábio conselho para evitar mágoas neste ano: Pergunte, mesmo que tenha certeza de que seus dois amigos que curtem teatro não vão querer ir num churrasco com pagode no domingo. Perguntar não ofende. Não perguntar pode fazê-lo perder pontos na sua cartela de amizade."

Mãe Bramarah disse:
"Trocando em miúdos, como você se apaixona por todo mundo, não pode, tem que escolher um só. Aí, você pergunta pros dois: você quer ir no teatro ou quer ir prum churrasco com pagode? O que disser que quer ir pro churrasco com pagode, vc pega o riocard da sua vó, dá pra ele e diz 'vai com Deus'... e fica com o do teatro!"


Huummmm... E isso nem era sobre o meu signo... Tá, né!

** Lu Morena * 2:57 AM * *


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Domingo, Dezembro 17, 2006


Dia 14 de janeiro vai ser O DIA!
(não o jornal, claro)
Tenho que renovar meu estoque de lenços de paapel... já vi que vou chorar horrores.

Seu Chico, me aguarde...

** Lu Morena * 12:59 AM * *


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Quinta-feira, Novembro 09, 2006


Parece que foi há
milênios
séculos
semanas...

Foi
Foi todo esse tempo e mais um pouco
todo esse tempo e um pouco mais

O tempo,
no mais é pouco
e no pouco,
é mais.

Todo o tempo do mundo
nunca é suficiente
nunca
nunca é tanto tempo assim

O tempo é curto
é muito
é tudo
e é mais
muito mais

Não é exagero
É saudade.

** Lu Morena * 10:04 PM * *


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Terça-feira, Outubro 10, 2006


"Quando descobri que é sempre só você que me entende do início ao fim..."


Toca o celular

- Alô!
- Eu sempre leio "batata frita".
- Pare de abrir cardápios!
- Não... Isso não acontecia com você não?
(pausa para pensar)
- Ah, você lê "batata frita" onde está escrito "bateria fraca", no celular?
- Então também acontecia com você!
- Não, não acontecia... eu só tentei pensar com a sua cabeça...
- Eu sabia que você ia me entender!
- É um lugar estranho, aliás...
- A minha cabeça?
- Onde mais?
- É... então tchau!
- Tchau!

** Lu Morena * 5:39 PM * *


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Segunda-feira, Outubro 02, 2006


Tentando agradar a gregos e a troianos


- Dindinha, não tá sol?
- Olha Yasmin, sol não tá não... tá meio nublado...
- Meu pai não quer deixar eu ir de saia pra escola... Fala com ele?
- Eu, falar com ele? Se ele não quer deixar, não sou eu quem vai fazê-lo mudar de idéia...
- Aaaahhh... eu não quero ir de calça comprida, eu quero ir de saia!
- Faz o seguinte: vai de calça como ele quer e leva a saia na mochila. Aí, quando chegar na escola, você vai até o banheiro, tira a calça, guarda na mochila, coloca a saia e passa o dia inteiro de saia como você quer. E antes de ir embora, vai no banheiro de novo, tira a saia, guarda e coloca a calça. Assim todo mundo fica feliz.
- Levar a saia na mochila?
- É Yasmin, mas fala baixo, né! Não pode deixar ninguém saber!



... e eis que ela esqueceu a saia no banheiro...

** Lu Morena * 5:23 PM * *


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Terça-feira, Setembro 12, 2006


- Olá! Há quanto tempo...
- Pois é... comé que você está?
- Tô indo... e você?
- Estou bem. Na mesma.
- "Na mesma"... Isso quer dizer que você está sempre bem?
- "bem" e "na mesma" usados na mesma frase indicam que a vida anda meio tediosa. Nada vai e nada vem; fica sempre na mesma. Como tenho muita noção de que as coisas poderiam ser bastante piores, digo que estou bem. É uma visão parcialmente otimista do tédio.

** Lu Morena * 2:08 PM * *


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Domingo, Setembro 10, 2006


(ainda precisade alguns tratamentos)


Onde foi parar

Aquele CD duplo do Led Zeppelin que sumiu antes que você pudesse ouvir
Aquele menino de olhos verdes que já foi a paixão da sua vida
Aquele livro de projeto cultural que você jurou que um dia ia ler...
Falando em livros, e o Pequeno Príncipe, onde foi parar?

E aquela blusa que você adorava?
Sumiu junto com o par de meias mais confortável do mundo?

E que fim levaram aqueles montes de sonhos, vontades e esperanças?
E aquele amigo, por quais caminhos se encontrou, e se perdeu de você?

E aquele amor tão bem guardado,
na gaveta do armário?
Adormeceu? Fugiu? Morreu?

Aonde vamos parar... ?

** Lu Morena * 2:22 PM * *


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Sábado, Agosto 26, 2006


Fragmento de um diálogo
baseado em fatos reais

(de um sonho)



"- Naquela época eu não estava muito bem... Estava ocupado querendo me matar...
- Você? Tentando suicídio? Por quê?
- Foi uma questão filosófica... Eu estava tentando me desconstruir..."




* * * * *



Observação

Enquanto os tolos se preocupam
em tentar desvendar
o que se passa na cabeça dos outros,

os mais espertos passam o tempo
tentando entender melhor
o que se passa na sua própria...

** Lu Morena * 4:21 PM * *


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Sexta-feira, Agosto 11, 2006


(de algum lugar em janeiro...)





Quero lhe contar que subi em uma árvore
e gritei lá do alto.
Senti a liberdade em meio às folhas,
com a sensação de que podia voar...
Então voei...

Voei alto, alto, alto...
Até a estrela mais próxima
pedi licença e, curiosa, perguntei
o que fazer lá, tão longe, tão sozinha,
naquela escuridão sem fim.
Ela me respondeu, resignada:
"brilhar e esperar, até apagar"

Voltei então para a minha árvore,
com meu grito,
minha liberdade,
e meu medo de altura...

** Lu Morena * 3:22 PM * *


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Terça-feira, Agosto 08, 2006


Variações do mesmo tema, assuntos diferentes
(palavras antigas)



Tenho a recordação de uma época em vinho e preto.
Não são cores exatamente alegres...
(como também não o são as recordações)

Toda lembrança daquele tempo,
caos e um pouco de desespero...
Época de tentativa de lágrimas,
de gritos surdos, silêncios,
e um aborto romântico.
(Nada particularmente alegre, percebe-se.)

E de repente, nostalgia.
Uma quase saudade
do que a memória mudou de cor.

Não era felicidade, mas havia diversão.

Não é nem saudade de você...
É saudade de mim.


* * * * *



De repente
- pois as sensações brotam assim, sem aviso prévio - ,
um frio na barriga,
um pouco de medo ou ansiedade
- mais devaneios -
e a antiga sensação de assunto-inacabado
(qualquer tipo de aborto deixa marcas)

Vontade de tentar de novo,
de voltar atrás,
de recomeçar do zero
(Pena a vida não ser um crochê com pontos tortos, coisa fácil de se consertar)

A memória é uma ilha de edição safada.
Se colhermos vários depoimentos sobre o mesmo fato,
encontraremos várias versões de histórias diferentes.
Pintamos as lembranças com as cores que queremos...
(e mudamos as tonalidades de acordo com o momento)

Saudades,
mas nada é real.
Lembranças se misturam,
metáforas se confundem,
e já nem sei mais do que estou falando.

É a incerteza que mata.

** Lu Morena * 1:08 AM * *


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Domingo, Agosto 06, 2006


Todo fã de comédias românticas que se preze já viu "Sintonia de Amor". Menos eu. Mas ontem eu tentei resolver este problema: estava passando o filme no People & arts e eu deixei a tv ligada enquanto arrumava o quarto. Captei uma ótima frase sobre relacionamentos:

"Annie, when you meet someone and you're attracted to them, it just means that your subconscious is attracted to their subconscious, subconsciously. So what we think of as chemistry is just two neuroses knowing that they are a perfect match."



** Lu Morena * 2:24 PM * *


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Segunda-feira, Julho 31, 2006


Sabedoria popular:

"A MORTE ASSUSTA QUEM ATREME"

(Tá pichado no alto de um prédio...)





** Lu Morena * 12:28 AM * *


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Quinta-feira, Julho 27, 2006


Está passando um festival Audrey Hepburn no telecine cult.
Já existiu alguma mulher mais linda e charmosa do que ela?
Quero ser Audrey Hepburn quando crescer.


* * * * *



De repente,
surge um nó na garganta
e os olhos começam a marejar.

São lembranças tentando vazar...


* * * * *



Pq às vezes nós não conseguimos aceitar a simplicidade das coisas? Entender que um charuto é apenas um charuto?
E daí fantasiamos impropérios, exageramos na percepção e nos perdemos no entendimento...

Desencontros...
Descontrole...
Descabida, eu?! - Totalmente.

Os mitos, a idolatria, a perfeição... só funcionam no mundo das idéias. A realidade é outra coisa...


* * * * *



"Chinfrim" é uma palavra bonita.
Quero pra mim. Só a palavra, o significado eu dispenso.

** Lu Morena * 1:16 AM * *


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Sexta-feira, Julho 21, 2006


Vi "Superman - o Retorno", mas não vou falar do filme. Vou falar do molequinho.
Obviamente fui assistir a uma sessão legendada, na qual alguma mãe sem coração levou seu filhote, aparentemente recém-alfabetizado.
Obviamente o menino não entendia inglês e nem tinha tempo de ler a legenda, então perguntava e fazia algumas observações ocasionamente.
Obviamente as observações e perguntas ocasionais perturbaram algumas das pessoas que queriam levar o filme a sério.
Obviamente eu não era uma dessas pessoas e me diverti bastante com o molequinho (que mandava muito bem).

Em dado momento, apareceu escrito em letras absurdamente gigantescas, "SUPERMAN".
"Supermãe?!" - perguntou o menino indigmado.

Bem no início, uma cena do Clark ainda novo, descobrindo seus poderes, correndo loucamente e saltando feito o Bambi.
"Olha, mãe, o Homem Aranha!"
(Ele leu meus pensamentos!)


* * * * *



Depois de quase três meses sem pegar em um carro, hoje de manhã fiz minha prova de motorista. Passei... pra outra auto escola!
E o meu instrutor autista mal-humorado, carinhosamente apelidado por mim de "vovô- toupeira", disse-me coisas memoráveis.

Cheguei lá no lugar da prova um pouco antes das 7h, por instrução da auto-escola.
"Você devia ter chegado mais cedo pra fazer um treino, eu não te falei pra chegar mais cedo?!!"
* Não o via desde o início de maio... como ele me disse alguma coisa??

Eu não me lembrava bem de como se fazia a baliza safada, então, logo no início (que por acaso se confundiu com o fim da prova), engatei a ré, girei o volante todo pra direita, avistei as três balizas no retrovisor esquerdo, virei o volante todo pra esquerda e fiquei tentando lembrar pra qual sinal divino deveria olhar pra saber onde parar. Enquanto isso, uma baliza da frente correu pra cima do carro e bateu nele. Um asurdo! Ela só balançou, nem chegou a cair, mas mesmo assim acabou com meu sonho de não precisar pagar um novo duda. Enfim, prova perdida, saí do carro. Vovô-toupeira veio até mim e, quando eu misteriosamente esperava ouvir alguma palavra encorajadora, olhou-me com cara de "sua burra" e disse:
"Entendeu?!"
Hã?? Como assim?!?!?!?!


Enquanto aguardava para fazer a prova...
O cara com a bermuda mais larga do mundo (parecia uma saia!), tinha acabado de perder sua prova e comentava seriamente com seus colegas: "Meu problema é só o acelerador! Só! Se tirar o acelerador do carro eu tô bem!"

E o instrutor sensato consolando a jovem aluna que tb havia perdido a prova:
"Não fica assim... Quantas coisas na vida você já fez errada? Que nem essa hoje? E nem por isso desistiu, né..."


* * * * *



Pois é... lugar bizarro esta vida.

Desmanchei o cachecol torto qdo ele estava quase pronto. E refiz tudo em menos de 48h. Ficou bom, até.
Se a coisa começa torta e continua torta, é melhor a gente não insitir. E recomeçar do zero. As chances de sucesso aumentam.

Continuo achando que "it" é bom. Definitivamente é papo de psiweb.

** Lu Morena * 9:12 PM * *


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Domingo, Julho 16, 2006


Comentários e considerações
(sem muitas relações entre si)



* Sou oficialmente uma produtora cultural desempregada. Tenho até certificado disso agora (não da parte do desemprego). A cerimônia me pareceu bastante legal e rápida. Quero ver a filmagem para ter certeza. Meu discurso foi péssimo, mas ainda assim poderia ter sido pior. O resto da noite foi interessante. Boas fotos, gostei de me formar. Quero até repetir, quem sabe.


* O Miguel nasceu dia 12, ontem fui conhecê-lo. É lindo! (e olha que é difícil bebês serem lindos!). É tão pequeno... e calminho!
Constatação: Bebês com cabelo costumam ser mais bonitos que bebês carecas. Não têm cara de joelho. Pelo menos eu não conheço joelhos com cabelo. Chega, né!


* Próximos projetos: Direito e Dança de salão. Alguma coisa na vida a gente tem que fazer, né!


* Finalmente resolvi o meu problema com a vivo: desisti deles. Comprei um telefone pink (na verdade ganhei, de presente de formatura...) habilitado na TIM. Sem plano empresa.
A vida consiste em trocar uns problemas por outros, esperando que os seguintes sejam menores. Às vezes a gente dá sorte.


* Descobri que eu sou uma pessoa com "it". Pareceu bom.


*A vida se perde sem dar notícias.
E um monte de acasos estúpidos podem acabar com boas histórias.

mas como saber se as histórias seriam mesmo boas?

É, a vida é um lugar estranho.
E pensar não serve pra nada.


* Adoro cheese cake. Muito, mesmo.


* "Transamérica" é um filme bom. "Cecil Bem Demente" é outro. Eu devia assistir a mais filmes bons. Na vida.


* Redescobri o crochê, perdido na minha memória por uns quinze anos. Estou fazendo cachecóis ao mesmo tempo. Tortos, mas cheios de boas intenções.


* Quero minha casa de volta. Com a minha vida dentro. E minha garrafa térmica cheia de café todo dia. E meu jardim de inverno com rede. E a liberdade de ir e vir, de acordar e dormir na hora que sentisse vontade. E o Plaza a cinco minutos de distância. E tudo mais que me era familiar.
Quero-me de volta. Mas com o cabelo de agora. Antes estava horrível.


* Ouvi ontem em algum lugar que a dor é o amor insistindo em ficar.
É esperança.
E, como todos sabem, quem espera sempre cansa.
(Só ouvi a primeira parte, gostei)


* O resto fica pra depois.

** Lu Morena * 6:11 PM * *


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Quarta-feira, Junho 07, 2006


Totalmente sem inspiração, mais do que de costume.

Budega!


Vi "O Código Da Vinci" e cochilei no meio do caminho. Ao ler o livro achei que daria um ótimo filme, mas o Ron Howard é fraquinho. Ficou bastante fiel, é verdade, mas, sei lá, não gostei. Ridículo mesmo fui eu reclamando que o efeito especial do Langdon decifrando os anagramas era igual ao efeito especial de "Uma Mente Brilhante"... Dã! Só várias horas após o fim do filme caiu a ficha de que são do mesmo diretor. Pateta!

Tb vi "X-Man 3". Talvez fosse melhor se eu me lembrasse do 1 ou do 2 e pudesse comparar. Ou não, né! Às vezes é bom mesmo entendê-lo como obra única... Anyway, eu gostei. Nunca fui com a cara do Cyclope (do filme) nem da Jean (do filme). Aliás, a Vampira (do filme) também é uma desgraça, podia ter ido embora junto. Senti falta do Noturno e, como sempre, do Gambit (sempre foi meu favorito). Obriguei todo mundo a ficar no cinema comigo pra ver a cena de uns 30s depois dos créditos. Esperava mais desta ceninha. Acho que gostei mais do filme do que os críticos (o que pode ser culpa do Volverine, vai saber...). Só acho que o molequinho que fez Reencarnação com a Nicole Kidman podia ter aparecido mais.

Antes disso tudo, vi "Missão Impossíel 3". Não via a hora de acabar. As coisas não paravam de explodir - ou as pessoas de voar - um minuto! Que saco! O 2 já não foi lá essas coisas, mas acho que me cansou menos...

Quero ver Superman... estréia qdo??

Li Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, HP e o Cálice de Fogo, HP e a Ordem da Fênix e HP e o Enigma do Príncipe. Vê se pode, a essa altura do campeonato a menina se vicia em Harry Potter. E olha que eu nem gosto muito do HP em si, moleque chato! De qualquer forma, quero comprar todos os 5 livros que eu não tenho (só tenho o último) pra visitar Hogwarts esporadicamente. Sim, é coisa de maluco, eu sei, mas pelo menos eu não me inscrevi na Hogwarts virtual, para estudar lá! (Juro que existe!)

Estou lendo "PS.:Eu Te Amo". É possível um livro ser ruim só até a página 100 e, de lá em diante, ser um espetáculo?? Torço que sim. O livro parece aqueles "made for tv" que passa de madrugada... ou na sessão da tarde... aqueles que a gente começa a ver sabendo desde a primeira cena que vai ser chato, mas insiste, com a esperança de estar enganado. Bem, tomara que eu esteja!

Acho que vou voltar a ler Fernanda Young antes do previsto.

Ah, também acho que vou fazer Direito na UniverCidade.

E também acho que a vida não é séria, mas isso não vem ao caso.


Quero mudar de operadora e minha auto-escola sucks. Tem mais de um mês que eu pedi pra marcarem aminha prova e até agora nada. A auto-escola Barros deve ter algum convênio com a Vivo. O nível de incompetência e Surrealismo é o mesmo.


Tchau.

** Lu Morena * 1:06 AM * *


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Domingo, Maio 21, 2006


Pra onde você quiser eu vou,
tanto faz.
minha casa é você.

** Lu Morena * 3:10 PM * *


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Quinta-feira, Maio 18, 2006


Pois bem,

dia desses recebi por email a oferta de um livro intitulado Por que as mulheres compram?

Ora, mas não é óbvio? Compram pq está a venda!

Daí a gastar entre R$25,00 a R$30,00 com tal livro... aí sim é consumismo desenfreado!
Mas vá lá... é um livro de "estratégias de marketing para atingir um novo público". A sinopse no Submarino diz:

"Desde a cor do carro, o computador, as novas sandálias da moda... enfim, o que as mulheres querem elas podem! E são mais exigentes que os homens. Não adianta querer vender nada rapidamente a uma mulher nem tampouco apelar para estratégias de marketing ultrapassadas. Elas não se deixam levar: muito mais fortes, decididas e independentes economicamente, as mulheres sabem o que querem e não aceitam ficar em segundo pIano. Em Por que as Mulheres Compram?, Linda Johnson e Andréa Learned, especialistas em marketing, mostram ao leitor o que determina as decisões de compra de uma mulher e como garantir a fidelidade desse público que cresce dia após dia."

Mas eu acho muito simples convencer uma mulher (possivelmente mais simples do que convencer um homem) de comprar alguma coisa: basta oferecer brindes ou descontos, É infalível!

Semana passada minha mãe chegou em casa com 3 pacotes de ração para Maria Cecília (a cadela). Ok, o bichinho precisa se alimentar... mas daí a comprar 3 pacotes de uma vez? Estranhei até olhar os pacotes: um era da ração que a Ciça gosta, outro estava em promoção e o terceiro vinha com um mordedor! Brindes, minha mãe os adora!
Eu adoro cereal matinal, mas ela quase nunca comprava... até que surgiu a promoção: leve duas caixas e ganhe uma tijelinha. Resultado: quatro caixas de cereal!
E o balde cor de abóbora que ela ganhou comprando uma coleção de produtos de limpeza?!
Brinde nunca precisa ser útil. Basta ser "grátis"!

E promoções? Ah, é adorável quando minha mãe encontra promoções no supermercado. Chega em casa com dez embalagens de queijo, quinze pacotes de biscoito, quinhentas mil garrafinhas de gatorade...

Teve uma vez que ela comprou uns quatro pares de sapato iguais, mudando somente a cor, só pq estavam baratinhos. Nunca usou nenhum deles, é verdade, mas só a satisfação de comprar já valeu.

Nesta sociedade consumista em que vivemos, nada mais esperto do que brindes e promoções, por mais inúteis que sejam os "achados imperdíveis". Tá bom, consumismo é uma anomalia psíquica séria que pode ter desdobramentos terríveis e em muitos casos deve ser tratada... Ah, mas vai dizer que não é bom ir a um shopping e voltar com um monte de inutilidades em embalagens de presente?

Enfim, pq as mulheres compram? Pq está a venda! Pq elas podem!
Brindemos a isso!


(Tédio, esperando o computador fazer um download pra voltar a ler "Harry Potter e o Cálice de Fogo". Tá explicado.)

** Lu Morena * 4:17 PM * *


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Sexta-feira, Maio 12, 2006


O tempo é perverso.

É como se eu estivesse presa entre tempos, tudo aconteceu antes ou acontecerá depois.
E enquanto isso eu tento preencher os dias com qualquer coisa
(tv, livros, mechas vermelhas no cabelo, pinturas exóticas na unha, organização de roupas, envio de emails, consumo frenético de corn flakes, estranho vício recém-adquirido por Glade [odorizador de ar], pensamentos infundados e inofensivos, limpeza de vidros e espelhos, passeios inúteis pelo shopping...)

Entretempos... é um lugar estranho de se estar.
Deve ser culpa da chuva.

** Lu Morena * 3:11 PM * *


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Terça-feira, Maio 09, 2006


A weblogger está me chateando, vive fora do ar!
Como eu não mereço isso, vou adaptar o blogger pra mim. Vou salvar tudo que está lá, republicar algumas coisas aqui e adotar o blogger como endereço oficial.

Amanhã.
(ou melhor, assim que aquilo lá voltar ao ar)

** Lu Morena * 10:55 PM * *


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Sábado, Abril 08, 2006


Hoje tirei as últimas coisas do apartamento.
É triste ver seu apartamento vazio. Parece filme: cada canto que vc olha é cheio de imagens e lembranças.
Assim que eu abri a porta da sala, fui colocar a chave em cima da televisão. Caiu direto no chão, não há mais televisão.
Me olhei no espelho do banheiro. Minha imagem estava horrível, cara de cansada. Achei que devia passar um delineador nos olhos e fui até o quarto da Fê buscar o dela. Não estava lá.
Sentei-me no chão da sala, nos colchonetes que restaram, olhando para a parede. Nada a fazer. Tive o impulso de levantar e ir deitar na rede... que rede?

A primeira coisa que eu tirei do meu quarto foram as fotos, os quadros e as bolsas que ficavam pendurados nas paredes. Engraçado, o quarto de repente pareceu muito menor, absurdamente menor.
Comentei isso com o Panda. Ele disse que quando as coisas estavam na parede, o quarto era mesmo maior, pq ele tinha as minhas dimensões, as dimensões do meu mundo. Sem elas, eram apenas paredes, era apenas um quarto.

Sem todos os móveis e tranqueiras, aquele não é o meu lar, e apenas um apartamento.
Sem Niterói e todas as tranqueiras, eu sou apenas uma pessoa, apenas mais uma.

Estou me procurando, urgentemente. Se alguém me encontrar, favor devolver. Lá no Rio, que voltou a ser minha casa em tempo integral.
(disse "lá" pq agora estou na casa de Louise)

Já viram "Hora de Voltar", do Zach Braff (da série Scrubs, que passa na Sony)??
É a história de um cara meio problemático, que vive de prozac e afins por toda a vida e volta pra sua cidade natal depois de muito tempo longe, pro enterro da mãe. A história toda tem muitas coisas interessantes, mas não é bem sobre o filme que quero falar. Só quero fazer uma comparação. Estou me sentindo como ele: dopada, desencontrada, anestesiada, entorpecida mesmo. Meio zumbi. Estou fazendo muitas coisas no automático, sem pensar. Tenho bloqueado pensamentos, não sei mais de nada.

Não sei nem, por exemplo, o que vim escrever aqui.
Que coisa!

(06/04/2006)

** Lu Morena * 3:56 AM * *


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Sábado, Abril 01, 2006


É outono, o sol se vai aos poucos.
Sento-me perto do MAC, de frente para o Rio.
(a cidade é mesmo maravilhosa deste lado da baía)
O céu se desmancha em cores,
todas as cores que pintaram minha vida nos últimos anos.

Fecho os olhos, sinto o ar em meus pulmões.
Lembro-me de todas as vezes que estive aqui,
recordo detalhes que pareciam perdidos,
revivo emoções conflitantes em uma fração de minuto.
Confusão.
Vivi mais nos últimos cinco anos do que nos dezoito anteriores.

(e pode nem ter sido tanto assim. Dizem que há mais por vir...
no entanto parece que tudo acaba aqui, agora.
Calma. Ainda há muito tempo para girar.)

Despreparada,
desnorteada,
jogada.
(Calma, também não é preciso tanto drama! É?)
Não sinto o chão sob meus pés.

Abro os olhos.
Uma nuvem negra agora cobre o céu.
(ela chegou de repente, embora eu soubesse que viria.
Qualquer coisa me enche os olhos de água nestes dias.)

Vai chover, falta pouco.
eu sinto, eu vejo, eu sei.
Levanto-me.

Uma fotografia mental, um último adeus.
Sim, eu sei, também sentirei saudades...
(especialmente de me maravilhar a cada pôr-do-sol).


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É hora de partir, hora de voltar pra casa.
E me procurar.

Lembra que o plano era ficarmos bem?

** Lu Morena * 11:18 PM * *


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Segunda-feira, Março 13, 2006


Sentia sua falta antes de conhecê-lo
Eu era apenas um pedaço,
uma prcela de um todo perdido...
E sentia saudades, muitas saudades.
Até que um dia, entre um olhar, um sorriso e meia dúzia de palavras,
eu me encontrei.
Agora nada mais me falta.
Sinto saudades poucas vezes, e sua presença todo o tempo.
Você está preso aos meus sentidos.

De ímpar virei par, o mundo agora é nosso.
Somos nós que fazemos o sol aparecer todas as manhãs,
Nós que damos as estrelas à lua às noites,
e pintamos o céu com nossas cores ao entardecer.
E todos os verbos que vale a pena conjugar, fomos nós que criamos.
Você é meu sentido.

Se às vezes perdemos a razão, em nossa perfeita imperfeição,
e discutimos, brigamos, choramos, gritamos,
logo fazemos as pazes, sempre nos perdoamos.
Prefiro passar a vida brigando cm você
do que fazendo amor com outra pessoa.

** Lu Morena * 10:42 PM * *


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Terça-feira, Março 07, 2006


Soneto de Aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Vinicius de Moraes




07 de março, meu aniversário. 23 anos. Eu sempre gostei de aniversário, sempre achei um dia (que pelo menos DEVERIA SER) especial.
Este ano eu queria poder adiar o meu aniversário, para qualquer dia em que eu estivesse mais animada.
Não que eu esteja triste, mas também não estou feliz.
Eu estou... estou... ocupada. É, isso: ocupada.
Estou ocupada demais para sentir-me de outro jeito.
A monografia está se encaminhando para o fim, finalmente. Consegui encontrar um ritmo onde as coisas fluem. Incrível.
Claro que a mente inquieta insiste em querer resolver algumas coisas no meio de um assunto sério sobre cinema, mas eu estou ocupada e tento me concentrar.
Tento não pensar em como será minha vida no próximo mês.
Tenho que acabar o trabalho primeiro, e quero acabá-lo o quanto antes.
Lá no fundo da mente eu tenho alguns planos esboçados.
Onde enfiar todas as coisas que estão no ap? Imagino a futura reorganização e redecoração do meu quarto. Pelo menos isso deve ocupar um pouco do meu tempo em abril.
Planos de estudar loucamente para um concurso qualquer. E passar. E trabalhar em qualquer coisa ingrata, mas com um salário de gente.
Também há planos de Londres, nova graduação, livro... Mas isso é mais futuro.
Antes, bem antes, o plano de aproveitar Niterói até o último suspiro.
(E também por isso tenho que terminar logo a monografia.)
Sei que vou sentir falta da minha vida, e antes de buscar outras ocupações pra não pensar na saudade, quero agarrar a cidade com unhas e dentes.
Queria fazer isso literalmente, aliás, mas ainda não descobri como. Conformo-me com a metáfora.
Estou bastante conformada, aliás. Nem sempre o certo é o que nos deixa mais feliz, mas também seria pedir demais.
Então é isso: chego aos 23 anos ocupada. E bastante conformada.
Quando desocupar, aceito novas emoções.
Até lá, feliz aniversário para mim!


(PS.: Não esperem muito bom humor da pessoa aqui. Eu faço o que posso, ainda não aprendi a operar milagres)

** Lu Morena * 1:19 AM * *


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Domingo, Janeiro 22, 2006


Eu subi em uma árvore.

Acho que nunca tinha feito isso antes, em quase 23 anos. Bem, pelo menos não que eu me lembre. Eu e um casal de amigos (que não formam um casal entre si, mas são um homem e uma mulher... ah, deu pra entender) saímos de uma festa na madrugada de quinta para sexta e decidimos dar umas voltas de carro. Fomos parar em Jurujuba, um bairro de Niterói (razoavelmente longe do centro) famoso por seus pescadores. É lá que fiica a árvore. É uma árvore grande e linda, moldada certinho para subirmos nela: tem degraus pra subir, lugar pra sentar... e uma vista linda do Rio e da bahia de guanabara. Ela fica na beira da estrada, num "meio fio" que desce para uma pequena faixa de areia e a água. Eu já conhecia aquele lugar. Ano passado fomos ver o nascer do sol lá, comemorando o aniversário de uma amiga, mas eu não me atrevi a subir na árvore. Tb tem duas cordas penduradas num dos galhos, como se fossem cipós, para os que quiserem se aventurar e se pendurar. Eu até pensei em me aventurar dessa vez, mas a maré estava alta (eu tb, aliás) e achei melhor não. Mas só subir na árvore já valeu. E ver aquela paisagem linda... Depois, ainda não cansados, fomos além, perto da área militar, Paramos num... sei lá, acostamento? Um canto que não é bem calçada, mas tb não é estrada; onde as pessoas estacionam mesmo. Sentei na cerquinha branca. Tem uma escada para a praia lá em baixo, mas da cerca dava pra ver uma pedra imensa (ou seria um morro?), a areia e o mar com ondas azuladas pelo brilho da lua. Ah, e a lua... a lua estava linda... e no rádio, veja que coisa, o Chico cantava "meu guri". E foi então que eu me certifiquei de como a vida é safada. E me senti solitária (ando carente ultimamente, não repare). De que adiantava aquele cenário perfeito? Não desmereccendo meus amigos, especialmente pq sei que eles pensavam a mesma coisa... É, já disse o Léo Jaime, "a vida não presta"...

Pq eu estou escrevendo isso? Dessa vez não tenho montes de explicações. Só me deu vontade de contar isso pra você, e, como eu não tinha nada melhor pra escrever...

Ah, e eu vi "Quero ser John Malkovich" sim. Gosto do Charlie Kaufman (???), ele é louco. Gosto muito de "Brilho Eterno...", e tb de "Adaptação". A gente devia marcar de ir ao cinema juntos. A gente escolhe o dia, o filme e horários que batam. Tudo igual, lugares diferentes. Seria uma experiência antropológica interessante, ir ao cinema juntos, mas separados. Ou quase isso.

Faz muito calor aqui. Tá muito abafado e o ar condicionado não dá vazão. Acho que a água gelada esquenta antes mesmo de descer pela garganta. Talvez devêssemos ver o filme dos Pinguins. Ou talvez eu deva parar de escrever abobrinhas e ir dormir. Ou ler. Farei isso. Ou aquilo.

...E com um beijo, encerro o monólogo de hoje...

Beijo,

Lu Morena.


** Lu Morena * 2:41 AM * *


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Domingo, Maio 01, 2005


"É desconsertante rever o grande amor"


É noite, e ela reacende todas as lembranças. Estava com saudades de beber Eric Clapton com você, que é luz, raio, estrela e luar. Tinha me acostumado a vê-lo todos os dias, e agora é difícil acostumar-me com o "de vez em quando". Minhas madrugadas nunca mais foram as mesmas desde que você partiu. Nunca mais vi o dia nascer feliz, com o mundo inteiro acordando enquanto a gente ia dormir.

Depois de tantas indas e vindas com aquela com quem já tinha me acostumado, e da repentina obsessão pela outra, com a qual eu já estava me acostumando, surge uma nova. Não sei se posso agüentar. Eu quero estar na sua pele, me embriagar com seu perfume. Tenho ciúme dos seus olhos em outra direção.

Minha vida sem você não tem sabor, não tem cor. Nem flor, não há. Não há nada que ponha tudo em seu lugar, eu sei, mas queria tanto lhe trazer pra mim... Você está no meu corpo feito tatuagem, que é pra me dar coragem pra seguir viagem quando a noite vem. Aonde quer que eu vá, levo você no olhar.

O dia está amanhecendo... peço o contrário: ver o sol se pôr. Porque está amanhecendo se não vou beijar seus lábios quando você se for? Amanheceu. Olho pro céu e vejo como é bom ter as estrelas na escuridão. Espero você voltar, sem cansar.

A verdade é que eu já conheci muita gente e até gostei de alguns garotos... Eu tenho mil amigos, mas você foi o meu melhor namorado. Depois de você, os outros são os outros. E só. Você me tem fácil demais, mas não parece capaz de cuidar do que possui. Você me diz o que fazer, mas não procura entender que eu faço só pra agradar. Porque de vez em quando você me esquece e some? Porque você me deixa tão solta? Porque você não cola em mim? E se eu me interessar por alguém? Estou me sentindo muito sozinha, meu amor, cadê você? Não tem ninguém ao meu lado...

Então eu fecho os olhos pra não ver passar o tempo, sinto falta de você. Não estou ao seu lado, mas posso sonhar... Se eu queria enlouquecer, essa é a minha chance. Nosso romance foi o ideal. O quê que há com nós dois, amor? Me responda depois... Me diz por onde você me prende, por onde foge e o que pretende de mim. Eu queria saber te prender como você faz comigo. E ver lá no escuro do mundo, onde está o que você quer, pra me transformar no que te agrada, no que me faça ver quais são as cores e as coisas pra te prender.

Vi você com ela. Foi um sonho ruim, acordei chorando e por isso eu te liguei. Será que você ainda pensa em mim? Às vezes te odeio por quase um segundo, depois te amo mais. Teus pelos, teu rosto, teu gosto, tudo que não me deixa em paz... e eu estava em paz quando você chegou.

Tenho feito tantas coisas pra enganar a solidão, mas eu sei que não tem jeito, é impossível te arrancar do coração! Porque é que você veio se não era pra ficar? Quem mandou você mandou deixar tanta saudade em seu lugar? E agora o que que eu se faço não existe igual você? Eu não posso inventar outra paixão. Só no tempo e no espaço estou longe de você, porque sei que aqui dentro não vou te esquecer. Pode ser que eu esteja louca, me agarrando ao que passsou... Mas no fundo só um louco é que se entrega a um grande amor...

E eu já conheço os passo dessa estrada e sei que não vai dar em nada. Eu já conheço as pedras do caminho e sei também que ali, sozinha, eu vou ficar tanto pior! Mas o que é que eu posso contra o encanto desse amor que eu nego tanto, evito tanto... e que, no entanto, volta sempre a me enfeitiçar? Estou cansada, tão cansada... Mas não pra dizer que não acredito mais em você. Nem pra dizer que estou indo embora. Hoje eu quero sair só, eu tenho que ir pra rua... Talvez eu volte, um dia eu volto. Eu só eu preciso esquecê-lo, minha grande, minha pequena, minha imensa obsessão.

Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo... De repente eu me vi assim, completamente sua. Vi a minha força amarrada no seu passo, sem você não há caminho, eu nem me acho. Eu vi um grande amor gritar dentro de mim como eu sonhei um dia. Quando o meu mundo era mais mundo e todo mundo admitia uma mudança muito estranha, mais pureza, carinho, calma e alegria no meu jeito de me dar. Quando a minha voz se fez mais forte, mais sentida. A poesia fez folia em minha vida, você veio me falar dessa paixão inesperada por outra pessoa. Mas não tem revolta, não. Eu só quero que você se encontre. Saudade até que é bom... É melhor que caminhar vazio. A esperança é um dom que eu tenho em mim. Não tem desespero não, você me ensinou milhões de coisas. Tenho um sonho em minhas mãos, e amanhã será um novo dia. Certamente eu vou ser mais feliz!


** Lu Morena * 1:44 AM * *


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Domingo, Abril 24, 2005


terça-feira, 15 de março de 2005

Semana passada eu tive dias bons e estranhos, tudo ao mesmo tempo.

No sábado, fui à festa de aniversário de um aninho da Sofia, filha de uma pessoa que trabalha com meu pai. Foi uma festa ótima, apesar das músicas da Xuxa. Yasmin - minha afilhada também - foi, e me obrigou carinhosamente (com uma carinha de cachorro abandonado que só uma criança com aqueles olhos grandes e expressivos consegue fazer) a ir com ela até o parquinho. Pois bem, fui. Enquanto ela se divertia na piscina de bolas que um dia eu quero ter em minha casa, eu sentei num banco próximo e fiquei observando. Impressionante como crianças conseguem arrumar aiguinhos com facilidade. Logo logo ela estava brincando numa casinha com outras meninas (Isso depois de subverter a ordem normal de um escorrega, o que não vem ao caso no momento). Então, enquanto ela se divertia na casinha, uma garota sentou no banco ao meu lado e começamos a conversar:

- Oi. Você quer uma batata?
- Quero sim...
- Toma. Cuidado, tá quente.
- Obrigada. Tá gostando da festa?
- Tô. No início eu tava com sono e queria ir embora logo.
- Eu também.
- É sempre assim. Aí, quando eu começo a me divertir, tá na hora de ir embora...
- É... A vida é assim mesmo. Com o tempo você se acostuma e aprende a se divertir desde o começo.
- Eu não quero mais ir embora.
- Que bom, então tá na hora de você se divertir. Antes que canse e fique com sono de novo...
- Só vou acabar de comer primeiro.
- Hmmm. (...) Você mora onde?
- No Rio de Janeiro. E você?
- Eu moro em Niterói.
- Aqui perto?
- Mais ou menos...
- Eu tenho uma amiga que mora em Niterói também. De vez em quando eu vou pra casa dela.
- E você gosta?
- Gosto.
- Niterói é um lugar legal. Eu tenho muitos amigos aqui.
- E você vai na casa deles?
- Vou... Mas na maioria das vezes eles é que vão na minha.
- Como é a sua casa?
- É um apartamento, muito legal. Ainda mais agora que tem uma rede na varanda... Eu moro com duas amigas.
- Eu também quero morar com minhas amigas. Deve ser muito divertido!
- É sim, mas não é fácil. Às vezes sinto saudades de morar com meus pais. É muito mais fácil morar com os pais.
- Eu gosto de morar com minha mãe e meu pai. Só não gosto quando eles brigam comigo.
- Mas é normal, eles são pais, foram feitos para isso!
- Os seus pais também brigam com você?
- Claro que brigam, eles são pais!
- Hummm... qual o nome dela?
- Yasmin.
- A Yasmin é sua?
- É. Minha afilhada. E prima.
- Ah, pensei que fosse filha.
- Não...
- Você tem namorado?
- Não.
- Por quê não?
- Não sei...
- Você devia ter um namorado!
- Você tem?
- Eu tenho. O nome dele é Victor Hugo.
- Que nome bonito!
- É, eu gosto dele. Ele me deu essa pulseira de presente.
- Que bonita!
- Você devia ter um namorado. Você tem cara de quem tem um namorado.
- E como é a cara de quem tem um namorado?
- Assim, igual a sua.
- Esclarecedor!
- Antes de namorar o Victor Hugo, eu namorei o Felipe. Você já teve um namorado?
- Até tive...
- E por que não tem mais?
- A gente terminou. E por que você não namora mais o Felipe?
- Por que ele se mudou. Nem o vejo mais.
- Que pena. Você tem saudades dele?
- No início eu tinha muita, mas agora já acostumei. E você, tem saudades do seu namorado?
- Eu ainda o vejo.
- E gosta dele?
- Gosto, ele é meu amigo.
- Então, por que terminou?
- Eu não sei nem por que a gente começou!
- Você é complicada!
- Eu não. A vida que é! Ela dá muitas voltas, nos afasta e nos reaproxima das coisas, e faz tudo acontecer quando a gente menos espera... E quando a gente espera que aconteça, não acontece nada. E a gente perde pessoas, e quando acha que é tarde demais, as encontra novamente. E um monte de coisa quer acontecer fora de hora, e terminar no meio, continuar no fim e começar sempre...
- Eu não entendi nada.
- Não faz mal, eu também não sei bem o que quis dizer...
- Eu gostava do Felipe. Aí ele foi embora. Agora eu gosto do Victor Hugo. Mas quando o Felipe volta, a gente ainda brinca.
- É, não importa a idade, os relacionamentos são sempre parecidos... só muda o grau de complexidade!
- Muda o quê?
- Ah, deixa pra lá. Um dia você vai entender.
- Eu hein!! Vocês adultos complicam tudo! Eu vou brincar antes que chegue a hora de ir embora...

Ah, o nome dela é Larissa. Ela está no Jardim 3 e tem 4 anos. E é uma ótima pessoa pra se conversar!


** Lu Morena * 2:28 PM * *


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Quinta-feira, Janeiro 20, 2005


She checks her head - she's in the smoke, figuring which wat to turn now she's got the hope. We need solutions, a brain megaphone...

(Solutions, from Bush)


Sinto uma inquietação enervante. Um frio na barriga que, se minha intuição fosse confiável, diria que algo de ruim está para acontecer. Ando muito esquisita ultimamente, não estou entendendo. Tenho coisas para fazer, estou atolada na monografia. Tento me concentrar, mas o frio na barriga não sai. Um chazinho para acalmar. Penso na crise econômica que assola minha vida. Preciso arrumar um emprego. Monografia. MPB, censura, ditadura, torturas. Quantos absurdos neste país imenso, intenso, que eu temo e amo ao mesmo tempo. Tentaram me assaltar dia desses. Queriam levar meu celular, gelei e banquei a louca. Praticamente gritei ¿ ainda que ironicamente ¿ por socorro. Eles fugiram, ainda bem. Tentar me assaltar, que absurdo! Fiquei temerosa. Palavra bonita. Milhares de livros para ler. Centenas de milhares de pensamentos inacabados e embaralhados. Queria ir para o Fórum Social Mundial. Saudades de Porto Alegre. Mas não vou. Não há verba disponível. Pena. Mas Porto Alegre nunca será a mesma. Melhor impossível. Olho pros olhos do Chico. Lindos. Olhos de ardósia. Lembro dos meus antigos olhos cinzas, e quase tenho saudades. É bom enxergar naturalmente. Saudades. Saudades daqueles olhos azuis amigos, que andam tão distantes. Deixaram-me perdida em meus descaminhos. Preciso me formar. Logo. Não tenho nem pistas de como começar. Monografia. Bicho de sete cabeças. Preciso encontrar um amor. Meu coração tá abandonado, com alguns ecos do passado. Passado e fantasia. A televisão murmura palavras estranhas. O mundo tem falado comigo em outro idioma. Eu não entendo nada. Insegurança. É ruim ficar sozinha, ainda mais se sentir só. Estou só e me sinto assim. Não dá para não pensar. Silêncio. No hay banda. Meu cabelo está horrível, apesar de eu ter gostado da cor. Queria roxo, comprei violeta, ficou rosa. Mas eu gostei. Passou-se mais de um ano e não tirei minha carteira de motorista. Quero dirigir, e encontrar meus próprios caminhos. O frio na barriga é persistente, e parece que gosta de mim. Eu, ao contrário, não gosto dele. Ele me assusta. Não gosto de sustos. Gosto de surpresas, mas das boas. Poucas coisas me surpreendem. Um telefonema. Ah, eu adorei aquele telefonema. Pena que foi tão curto. E não sei se quis dizer alguma coisa. Tenho expectativas sufocadas. Esperanças abortadas. Goya disse que O adormecer da razão gera monstros. Razão demais também gera. Pensar demais cansa, e cria monstros apavorantes. Não consigo me livrar desses monstros, nem do frio na barriga. Queria me sentir segura, ter uma vida estável. No entanto, tenho insônia, e só isso já desestabiliza tudo. Preocupações. Minhas, da família, dos amigos, do mundo. Sinto um peso quase desnecessário sobre minhas costas. Não sou forte o suficiente. Confusão. Nem consigo mais escrever direito. Não que antes conseguisse... Os sentimentos imitam os pensamentos: embaralhados e inacabados. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante. Semana passada estive no hospital. Naquele em que fiquei internada. Quase chorei. Lembrei de toda a dor que tentei maquiar com risadas. O cheiro do hospital veio embora comigo. Não é cheiro de éter, mas de desinfetante. Não é um cheiro ruim, mas um cheiro de más lembranças. No fim, até que eu me diverti em alguns momentos, e consegui tirar algumas coisas boas da situação. É bom ter amigos. E pais amorosos. É triste doer. Nada é perfeito. Lembrei do passeio de maca, e de dirigir a cadeira de rodas. Senti medo, o mesmo que consegui afastar na época. Toda dor passa, toda dor se esquece, disse a Maria na televisão. Que passe logo então, toda a dor. Todas as dores. E que a vida se encha de cores. Nessa mesma época, um ano atrás, eu estava cheia de esperanças. E de um injustificado pressentimento de melhoras. O ano se passou, e nada de espetacular aconteceu. Bem, talvez tenha acontecido, mas eu só terei consciência daqui a alguns anos. Estou ficando velha. O tempo passa, sem pena. Tenho tido dores de cabeça. E lido muito. As palavras perdem seus significados quando se lê muito. Às vezes me dou conta de que nem sei mais sobre o que estou lendo. E muito menos sobre o que vou escrever. Não pode ser assim. A monografia tem que sair, e ficar boa. Eu quero fazer um bom trabalho. Não sei escreve academicamente. Não tenho estilo. Não levo jeito pra isso. E o frio na barriga não ajuda. Tem um anjo na novela do arcanjo. Queria viver numa novela, ou que minha vida fosse um filme bom. Tédio. A rotina cansa. Todo dia ela faz tudo sempre igual. Queria o Chico na minha banca. Queria o Chico na minha vida. Não fiz resoluções para 2005. Nem retrospectiva de 2004. Não sei se cumpri minhas resoluções do ano passado. Na verdade, nem me lembro quais eram. Certamente o ano ficou aquém das expectativas. Não quero pensar nisso. Estou sendo prolixa novamente. Tenho medo de morrer sozinha. Queria ter talentos e descobri-los. Além de temerosa, estou decepcionada. E angustiada, continuo sem saber o porquê. Essa viagem dentro de mim não está me levando a lugar algum. Monografia. Vou ler mais e me empenhar. Talvez ainda dê tempo. Eu sou brasileira, e não desisto nunca. Assim espero.



** Lu Morena * 12:14 PM * *


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Segunda-feira, Janeiro 10, 2005


Tá tudo igual, e nada é a mesma coisa. Estou enjoada, cansada, de saco cheio. Não sei o que aconteceu, nem quando, mas tá tudo errado, e não sei se tem conserto. O futuro não é mais como era antigamente*. Até o passado mudou. Eu, que sempre fui saudosista, já não gosto mais de lembrar o passado. Nem o distante, nem o recente. Tudo o que se passou foi há tanto tempo, qque nem sei mais se foi comigo ou com outra pessoa. E certamente não foi exatamente como me lembro. Meu passado é um monte de invenções, e estou cansada delas. Também não aguento mais viver sempre o mesmo presente, e estou um tanto sem expectatias para o futuro. Viu só? Estou enjoada! De tudo, de mom, das paisagens de sempre... Ainda gosto das minhas pessoas, no entanto. De fato, AMO as minhas pessoas. Todas elas, muito mesmo. Mas me sinto distante, como se eu estivesse presa na mais alta torre de um castelo, sem telefone ou internet, separada delas por um absimo intrasponível. Estou no tempo errado, e não sei onde meu tempo foi parar. Minha cabeça não está no passado, nem no presente e nem no futuro, mas em um quarto espaço de tempo, encoberto por névoa. Não é possível que eu não tenha feito nada esse tempo todo. Que desperdício! Não, eu não estou deprimida. Nem triste, nem nada. Estou é velha. E tão nova...




* Índios, Legião Urbana. Letra do Renato Russo, of course

** Lu Morena * 2:47 PM * *


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Sexta-feira, Dezembro 10, 2004


Às vezes eu me esqueço do nosso pacto de não agressão. Daí, vem-me o impulso de ligar para a sua casa às três horas da madrugada, contar-lhe do tanto que você me fez sofrer e dos rios de lágrimas que verteram dos meus olhos; fazê-lo sentir-se culpado por tudo e aproveitar para xingar algumas dúzias de desaforos nos seus ouvidos.

Às vezes eu me esqueço de que deixei de lhe odiar. Então, tenho vontade de estragar sua vida, como você fez com a minha, e ligar para ela a fim de bater um papo. Então, contá-la das vezes que ocê me procurou depois que terminamos, do quanto disse que me amava, que nunca deixaria de amar, e que nunca seria capaz de amar a nenhuma outra - nem a ela - como amava a mim.

Às vezes eu que esqueço de que já o esqueci. E surge o ímpeto de queimar seus retratos, tirar do alcance dos olhos tudo o que possa remeter a você, fazer simpatia para nem lembrar do seu rosto ou sequer de seu nome, e apagar completamente da memória tudo o que vivemos e dissemos um para o outro.

Mas os impulsos, as vontades e os ímpetos são passageiros. Recorrentes, mas passageiros.

Às vezes eu me esqueço de que deixei de lhe amar...

** Lu Morena * 4:39 PM * *


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Texto de 8 de outubro de 2002, um pouco remodelado e recèm-quase-associado ao Neruda que li hoje.


* * *



Cenário paradisíaco: céu estrelado, lua cheia, mar revolto batendo nas pedras...
Sinto-me como uma onda do mar: perdida no meio de tudo, quebrando nas pedras e virando espuma... Sempre quebrando e virando espuma, mas sempre voltando a tentar... Não me canso de tentar, quebrar e espumar por um nobre motivo: Sou apaixonada pelo luar, que de mim está sempre tão longe. Desde sempre ele se reflete em mim, e desde sempre eu quero mais do que um mero reflexo. Então, bato apaixonadamente nas pedras, tentando fuugir da minha própria imensidão para alcançá-lo. Entretanto, só as nuvens conseguem se aproximar dele, embaçando a minha visão... Mas ele sabe que reflete em mim, que influencia toda a maré e tudo mais, mas com tantas nuvens à volta, tão belas e voluptuosas, nem se lembra de que eu existo ali, no meio de tanto mar. E nem mesmo a minha espuma ele consegue enxergar. Mas um dia, as pedras vão sair do meu caminho, as nuvens não mais vão me atrapalhar e eu, simpls onda do mar, finalmente alcancerei o meu amado luar...


"Por que me perguntam as ondas
o mesmo que lhes pergunto?

E por que golpeiam a rocha
com tanto entusiasmo perdido?

Não se cansam de repetir
Sua declaração à areia?"
(Pablo Neruda, Livro das Perguntas)




** Lu Morena * 4:28 PM * *


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Terça-feira, Dezembro 07, 2004


Minha mãe está gripada, meu pai foi para Itaperuna, e eu acabei ficando no Rio por mais um tempo (se bem que devo ir-me embora hj).
Assim sendo...


* * * Da série: Tragicomédias da Vida Real * * *



Minha mãe falando com alguém ao telefone:
- Menina, eu tô HOR RÍ VEL! Uma gripe... nossa! Passei o fim de semana inteiro na cama. Achei até que eu ia virar colchão!



Minha mãe tem uma fábrica (ou sei-lá-o-quê) de toldos e coberturas. Seu Paulinho é um sr., aposentado, que trabalha para ela. Pois bem. Semana passada ele foi receber a aposentadoria, mas não conseguiu. Adivinha pq! Pq ele está oficialmente MORTO! Mostraram o atestado de óbito e tudo! E o legal é que ele recebeu o último pagamento no dia 2 d novembro, mas estava morto desde o dia 1!!



* * *



Andy: Nas poucas vezes que eu comi gelatina no hospital (eles tinham um cardápio super variado), era de morango. Uma pena.

Má Educação é um filme bom sim, mas não achei o melhor do Almodóvar não. Carne Trêmula, Tudo Sobre Minha Mãe e Fale com Ela são filmes mais sensíveis - e especialmente o último, mais poético - do que este novo. Sei lá. Má Educação me pareceu um filme meio amargurado, mas nem por isso ruim. Eu gosto bastante do Almodóvar, e acho que teria que rever o filme para fazer uma avaliação mais justa (e, quem sabe, babar menos pelo Gael)


* * *



Coisinha quase antiga, que eu escrevi no hspital e ainda não tinha publicado:



Hiperalgesia

Tudo em mim dói. Tudo

À flor da pele.
Na verdade, aos espinhos da pele.
Espinhos que me arranham, dilaceram minha carne, põem em carne-viva minha alma, tentam me matar.
Mas não matam.
Ao invés disso, torturam. Lenta e cruelmente.

Já não mais consigo dormir,
não mais consigo pensar,
muito mal consigo viver.

Tudo o que faço,
sem parar e sm querer,
é doer.

Hiperalgesia.




** Lu Morena * 9:43 AM * *


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Sábado, Dezembro 04, 2004


Passei a semana na civilização (em Niterói), mas longe de internet. Cheguei aqui no Rio hoje, e só estou conectando agora.

Quinta-feira eu revi Trainspotting e lembrei pq gosto do Danny Boyle.
Quarta-feira eu me apaixonei por uma mulher: Zahara, interpretada pelo Gael Garcia Bernal em Má Educação. Acho que não há melhor metro e meio de homem no mundo.
Terça-feira eu fui ver o Richard Gere dançando em Quer Dançar Comigo?. Realmente, não há nada como um homem que saiba dançar...
Segunda-feira, vi Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança. E escrevi.




Eternal Sunshine of the Spotless Mind


E se eu pudesse simplesmente apagar da memória toda lembrança de você? Será que eu me atreveria?
E se eu apagasse, quantas outras memórias iriam-se junto? Quanto tempo eu teria perdido?
E se depois de apagá-lo, eu o reencontrasse?
Provavelmente eu cometeria todos erros de novo, assim, sem saber. Apagá-lo teria sido perda de tempo. Retrocesso, regressão. Tempo perdido e invalidado. E eu acabaria por cair em um círculo vicioso, de errar, apagar, errar, apagar, errar... sem nunca aprender. Um vício: tal e qual você.
Não, não poderia simplesmente apagá-lo da minha vida. Não seria nada simples. Nada.
Mas...
E se eu pudesse apagar apenas as más lembranças? Como se nada de ruim tivesse acontecido. Nenhum erro, nenhum arrependimento. Nada sobre o que desconstruir nosso relacionamento. Nada para me fazer pensar por horas tentando consertar. Então, ao invés de perder tempo tentando voltar no tempo e reconstruir tudo, eu saltaria no tempo direto para o final feliz! Hmmm... não, isso não pode estar certo. Há muito tempo no período anterior. Só pode dar errado. E o so called "final feliz" seria só meu, sozinha, sem você. Errado. Isso não é feliz. Ou talvez não seja final. Não... melhor deixar as lembranças ruins intactas. Pelo menos para entender o que me trouxe até o presente.
Mas...
E se, ao invés disso, apagasse só as lembranças boas? O primeiro encontro, o primeiro beijo, a primeira flor... Apagar todo o encanto e magia de nós dois. Deixar apenas o que for mágoa, dor, lágrima... E só recordar o que fomos com tristeza, remorso e rancor. Tristeza... "Triste é viver na solidão"... Não, não dá. Também é impossível.Não quero perder os melhores momentos da minha vida só porque eles foram ao se lado. Não, não posso. Não há como apagar você sem levar junto um pouco de mim.
Ah, quer saber?! Se minha memória é o únio lugar em que posso tê-lo comigo, então lá o terei. Não quero perdê-lo outra vez, nem passar por tudo novamente. Melhor deixar as coisas como estão: você em mim, ainda que não ao meu lado. Assim sou eu, assim é você, assim somos nós. Com todos os erros, todas as brigas, todas as mágoas, todos os beijos, todas as carícias, todo o veludo e todas as farpas. Tudo o que me fez mal, tudo o que me fez bem, tudo o que me fez eu. Todas as palavras, todos os sorrisos, todos os silêncios. Todos os cigarros, toda a chama, todas as cinzas. Tudo. Todos os dois, tudo em um, tudo em mim. Todas as saudades, tudo de mim. Tudo.
E você brilhará eternamente nas lembranças da minha mente.

** Lu Morena * 8:18 PM * *


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